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(re) Tratos de uma sociedade

 “Photography is an immediate reaction, drawing a meditation”.

 O ideal conjuga-se pelo reencontro do indivíduo e a sua realidade. O encontro inicial vem dos sentidos e das emoções promovidos pelo ambiente e daquilo que o cerca. Estamos em uma cena repleta de elementos críveis e, por vezes, surreais. Somos convidados a permanecer ou sair. Deixamo-nos levar pela ambientação que comove ou assusta, aproximamo-nos da ação ou simplesmente refutamos com aspectos de despedida. Às vezes, não é tão simples assim.

Retratos são particularmente mistérios sociais: apreciá-los é também assistir a uma época em um determinado tempo e espaço. Não obstante, há os paradoxais. A esta proposta reflexiva, ficaremos apenas com os retratos fotográficos que dialogam com a sua sociedade. Aliás, estão longe de figurar o propósito de “apenas”.

Robert Capa, Diane Arbus, Dorothea Lage, Mercedes Barros, Henri Cartier-Bresson, Chargesheimer, Jean Dieuzaide, Pavel Baňka, dentre tantos outros talentos, poderiam ser facilmente apresentados como retratistas de seus tempos e sociedades. O incrível, o fantástico, dá-se pela diversidade técnica e conceitual em suas escolhas e processos de criação fotográfica. Dos clássicos aos ousados, os retratos mantêm uma linha interpretativa do que seria o contemporâneo àquele que respira a sua realidade e detém-se ao seu registro.

Pavel Banka

 

Guerras, conflitos pessoais, políticos, olhares que promovem o desconhecido ao primeiro plano de identificação e reconhecimento. Nós, espectadores, aceitamos o convite de quem olha e sente; que respira e reflete em texturas, cores, sombras, ângulos, pele, corpo, desafio, luz. Sobretudo, a luz. Elemento de grafia dos aspectos fotográficos, a luz promulga mais do que a forma, o próprio registrar.

Jean Dieuzaide

A fotografia só existe porque houve luz. O retrato, portanto, revela-se por entre mistérios conceituais que dialogam diretamente com os seus elementos de composição. O indivíduo fala tanto quanto representa: a criança que anda calmamente com uma garrafa na mão, o soldado que é paralisado em sua queda mortal, ou o abstracionismo de Baňka em sua série de retratos refletidos. Há um invólucro que permanece tênue entre representação e representado. A esta película de compreensão cabe ao espectador desvendar e figurar. O jogo permanece inerente à obra, a observação faz parte dele. Retratos enaltecem tanto quanto denunciam – há o pessoal, há o social. Refletem status, presenças e acusam ocorridos. Vê-los sem percebê-los seria como convencionar o acaso ao descaso. Retratos são reencontros em tempos pelo tempo; é o encontro de emoções pelos sentidos. Deixemo-nos levar por suas ambientações, olhares e, por que não, denúncias?

Mercedes Barros

Leia o Artigo na íntegra na edição 20 da revista FotoMania.

Dica de leitura e referência: Henri Cartier-Bresson, in GOMBRICH, E.H. (1998). Portraits by Henri Cartier-Bresson. Canada: Little, Brown & Company.

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