Dia D | Dia da África, dia da força

Feira na comunidade Praia Gâmboa, em São Tomé e Príncipe./ Foto: Thiago Melo

Feira na comunidade Praia Gâmboa, em São Tomé e Príncipe./ Foto: Thiago Melo

Neste 25 de maio celebra-se o Dia Internacional da África. A data foi instituída em 1963, quando se formou a Organização para a Unidade Africana (OUA). A OUA foi responsável por unificar o continente e criar uma voz coletiva, que pudesse ser forte o suficiente para lutar pelos direitos dos cidadãos africanos e combater o colonialismo. Esta organização fortaleceu-se nos anos 2000 quando se tornou a União Africana, que congrega todos os estados do continente, com o objetivo de promover o desenvolvimento político, econômico e social. Um dia para refletir sobre a diversidade e os imensos contrastes que a história africana nos apresenta.

Por muitos anos, diversos países ali foram fonte de riqueza para potencias europeias. A luta contra a escravidão e a exploração dos recursos naturais durou anos, mas é nítido que a independência dos africanos ainda está a ser forjada. Mesmo que alguns países tenham se desenvolvido economicamente, a grande maioria é dependente da ajuda estrangeira para assegurar seus investimentos públicos e garantir mínima infraestrutura para o desenvolvimento social.

Só para dar um exemplo, em São Tomé e Príncipe, onde estive com demais colaboradores do Media4Freedom no início de maio, mais de 90% do orçamento público depende de ajudas internacionais. Assim como São Tomé, vários países não possuem independência neste sentido e lutam para garantir o seu futuro por conta própria a partir das riquezas naturais que possuem.

A mesma África que depende financeiramente de outros continentes é a África que guarda um rico conjunto cultural da humanidade. De Norte a Sul, este pedaço do planeta apresenta múltiplas culturas, credos, línguas e formas de pensar e viver a vida. Países mulçumanos, cristãos, outros que têm religiões baseadas nas raízes mais profundas das tribos que povoam ou povoaram aqueles locais. Uma viagem antropológica!

Movimento do Apartheid, na África do Sul./ Foto: Autor Desconhecido

Movimento do Apartheid, na África do Sul./ Foto: Autor Desconhecido

De fato, a verdadeira riqueza africana tem se revelado a cada ano. Estamos falando do seu povo. Os africanos são gente simples, que trabalham muito para sobreviver em meio às dificuldades econômicas e sociais. A coragem é outro adjetivo aplicável a essa gente. Inúmeros movimentos sociais têm buscado combater as realidades políticas que colocam os países em situação ainda mais difícil, opressora.

Na década de 1950, os sul-africanos iniciaram a luta contra o regime do apartatheid de segregação social. A África do Sul, governada pela minoria branca durante quase três séculos, viveu ao longo de 46 anos sob aquele regime antes da chegada ao poder de Nelson Mandela, em 1994. Mandela representa a força dos povos africanos. Mais recente, movimentos sociais também mostraram a força que vem da sociedade ao derrubar ditaduras que há mais de 40 anos governavam países do Norte da África. Foi assim na Líbia, na Tunísia e no Egito, os países do Saara Ocidental que protagonizaram a Primavera Árabe.

Manifestantes na Tunísia. Revolução de Jasmim, como ficou conhecida, levou milhares de pessoas para ruas entre 2010 e 2011./ Foto: Autor Desconhecido

Manifestantes na Tunísia. Revolução de Jasmim, como ficou conhecida, levou milhares de pessoas para ruas entre 2010 e 2011./ Foto: Autor Desconhecido

Refletir a África é pensar nas conquistas sociais que o povo alcançou e terá de alcançar, e, de preferência, por conta própria.

 

 

 

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