Mundo | Fome: Inevitabilidade e soluções

A cada dia, morrem 100 mil pessoas de fome. Foto: Aaron Favila/AP

A cada dia, morrem 100 mil pessoas de fome./ Foto: Aaron Favila/AP

Crise económica. Crise politica. Crise alimentar. São temas do conhecimento da sociedade actual. De acordo com Olivier de Schutter,  Relator Especial das Nações Unidas sobre o direito à alimentação, “a fome é um problema político. É uma questão de justiça social e de políticas de redistribuição”.

No nosso planeta habitam sete bilhões de pessoas. Produzem-se alimentos capazes de alimentar quase o dobro da população mundial, aproximadamente 12 bilhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Mas, “a cada dia que passa, cerca de 100 mil pessoas morrem de fome ou pelas suas consequências imediatas”, como afirma Jean Ziegler, Relator da ONU para o direito à alimentação entre 2000 e 2008, num documentário no canal Televisión Española (TVE) em 2006.

Observando estes dados, há alimentos suficientes no mundo. Os números não enganam. Então como se explica que uma em cada sete pessoas no mundo sofram de fome crónica? Em 2005, morreram 36 milhões de pessoas vítimas deste flagelo. Na perspectiva de Ziegler, “não há aqui nenhuma fatalidade. Uma criança que morre de fome é assassinada.”

Em tempos passados da história da humanidade, o macho mais forte era aquele que se apropriava da comida. Hoje, a história não mudou. Os poderosos continuam a apropriar-se dela.

FAO aponta que 1 em cada 8 pessoas passa fome no mundo. Foto: ANSA

FAO aponta que 1 em cada 8 pessoas passa fome no mundo./ Foto: ANSA

Actualmente, existe um enorme desperdício de alimentos. Produzem-se alimentos para serem usados como biocombustíveis. Para além deste facto, a intensa desflorestação, bem como as alterações climáticas, só provam que o principal responsável pela fome que se alastra no mundo é o capitalismo selvagem.

As causas da fome são totalmente políticas. Na verdade, os alimentos converteram-se numa mercadoria e sua principal função, a alimentação, encontra-se em segundo plano.

Sem dúvida que não enfrentamos um problema de produção de alimentos, mas um problema de acesso. Na verdade, o que ocorre é uma monopolização extrema por parte de sociedades privadas multinacionais “que colocam os seus interesses particulares à frente das necessidades colectivas com o apoio das instituições financeiras internacionais.”, conforme testemunho de Esther Vivas, ativista em movimentos sociais e políticas agrícolas e alimentares, através de um texto intitulado,”Los porqués del hambre“, publicado no jornal El País, em 2011. De facto, as pessoas continuam a morrer anualmente à fome devido à injusta distribuição dos alimentos disponíveis no planeta.

Uma nova questão se levanta: Como solucionar a fome no Mundo? Serão os Organismos Geneticamente Modificados (OGM), conhecidos como transgénicos, uma solução. No entanto, não colocará esta solução vários riscos à saúde pública? De acordo com o documento redigido pelo pesquisador estadunidense Miguel Altieri, intitulado por “The scaling up of agroecology”,“os transgénicos são susceptíveis de aumentar o uso de pesticidas como resultado da evolução acelerada de ervas daninhas”. O cultivo de transgénicos afecta, também, a fauna do solo potencialmente perturbadoras nos principais processos do solo. Nada indica que precisamos de OGM para alimentar o mundo. Temos, assim, que dedicar tempo a pesquisar para pesar os prós e os contras.

Conclui-se, assim, que o flagelo da fome não é uma fatalidade, antes o expoente máximo do oportunismo que vai alimentando a ganância individualmente consolidada, socialmente consentida e politicamente ratificada.

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