“Jornalismo não é crime!” | Jornalistas da Al Jazeera condenados: quando a ditadura silencia o jornalismo

Jornalistas detidos. / Foto: Khaled Desouki/AFP

Jornalistas detidos. / Foto: Khaled Desouki/AFP

A bonança não chegou depois da tempestade. O mundo permanece de olhos postos sobre o Egito que, mesmo depois de uma Primavera Árabe, para alguns falhada, continua a revogar liberdades fundamentais. A liberdade de imprensa é uma delas.

Culpados apenas de fazer o seu trabalho enquanto jornalistas no Egito, a 23 de junho de 2014, três jornalistas da emissora de TV Al Jazeera foram considerados culpados, durante um julgamento vergonhoso e marcado pela falta de evidências legítimas, depois de terem sido acusados de terrorismo. O produtor egípcio-canadense e chefe de delegação no Cairo, Mohammed Fahmy, e o correspondente australiano Peter Greste foram condenados a sete anos de prisão por difusão de falsas notícias e auxílio a membros da Irmandade Muçulmana. O colega e produtor egípcio, Bader Mohamed, foi condenado a dez anos de prisão devido à acusação adicional de posse ilegal de munições.

O início do pesadelo

No momento em que a polícia invadiu o quarto de hotel dos jornalistas, não existia indícios de armas, apenas computadores, discos externos e equipamentos de filmagem, o que qualquer jornalista no local podia transportar consigo. Ainda assim, a falta de provas não inibiu o governo egípcio de acusar de vários crimes os três jornalistas do canal de televisão do Catar. Presos ainda em 2013, a 29 de dezembro, têm vivido em condições sub-humanas na “Scorpion Prision”, uma prisão infestada de ratos para onde o governo egípcio envia os suspeitos (e quase sempre condenados) de terrorismo.

Mas o que levou à acusação? A equipa da Al Jazeera entrevistou alguns membros da Irmandade Muçulmana, atualmente declarada pelo regime como organização terrorista, e, apesar de ter sido adotada uma constituição liberal no país, foi também aprovada uma lei que considera terrorista qualquer pessoa que citar, noticiar ou encontrar-se com membros da organização. Em suma, um jornalista é um terrorista no Egito.

20 pessoas levadas a julgamento

Apesar do Ministério Público do Egito ter anunciado, em janeiro de 2014, que levaria à justiça 20 funcionários da Al Jazeera, a estação de televisão assegurou mais tarde que apenas 9 dos 20 acusados são seus funcionários e os restantes seriam estudantes e ativistas. No total foram 18 os condenados, dos quais 12 com pena de 10 anos, entre eles Baher Mohamed, dois jornalistas britânicos e um holandês. Sete anos de prisão foi a pena aplicada a Greste, Fahmy e ainda a 4 estudantes que enviaram imagens à estação do Catar. Dois jovens foram absolvidos.

Uma onda de indignação pelo jornalismo livre

Depois da decisão de condenação se tornar pública, jornalistas, órgãos de comunicação social e indivíduos por todo mundo passaram a partilhar mensagens, nas redes sociais, de indignação e apelo à libertação dos jornalistas, usando hashtags como #AJtrial, #FreeAJStaff e #journalismisnotacrime. Uma petição lançada pela organização Canadian Journalists for Free Expression (CJFE) consegui reunir 10.797 assinaturas, posteriormente enviadas às autoridades egípcias no dia 16 de julho para marcar os 200 dias de aprisionamento.

Jornalismo não é crime!

Conheça as campanhas:

Campanha da Al Jazzera para a liberdade de imprensa

#FreeAJstaff – Petição da Canadian Journalists for Free Expression

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s