Sustentabilidade | Mais algumas gotas de água

Seca e enchente provocadas pelas fortes chuvas: realidades contrastantes no Brasil./  Imagem:

Seca e enchente provocada pelas fortes chuvas: realidades contrastantes no Brasil./ Fotos: Estadão Conteúdo- Luis Moura (Seca) /  Agência RBS – Adriana Franciosi

A escassez de água potável não é um fato isolado. É preocupação constante e antiga. Apesar de ser o recurso mais abundante no planeta, neste ano de 2014 a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta que prevê escassez de água até 2030. A estimativa é que serão necessários 40% a mais de água, 35% a mais de alimentos e 50% a mais de energia para a população. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) prevê o aumento de períodos de secas, de inundações e de incêndios.

A primeira conferência sobre a água foi promovida em 1977 e diversos outros encontros são realizados anualmente. Em 2003, foi formalizada a ONU-Água para a as questões de água potável e saneamento. As discussões sobre a água vão além da falta de chuva, as regiões secas, territórios sem saneamento e extração adequada dos recursos. Segundo a Organização, 768 milhões de pessoas ainda não têm acesso a água tratada.

No Brasil, foram registradas duas situações opostas relacionadas com a água em regiões próximas. No Estado de São Paulo, no Sudeste, onde o abastecimento de água da região metropolitana está comprometido, mais de dez milhões de habitantes são prejudicados diretamente. Falta água nas torneiras da maior região metropolitana do país. O Sistema Cantareira, formado por seis represas, chegou a operar em “volume morto”. A redução no volume de chuvas na região já havia atingido o recorde de mais baixo nível da água dos últimos 84 anos no mês de janeiro.

No extremo Sul, os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul enfrentaram chuvas fortes ao longo de semanas no mês de junho, a enchente foi a maior em 30 anos. Somente no Rio Grande do Sul, mais de 130 municípios decretaram situação de emergência e duas cidades decretaram situação de calamidade pública. Várias cidades ainda enfrentam as consequências da inundação como a falta de recursos para reconstrução de casas e vias públicas que foram destruídas.

As mudanças no clima e fenômenos como o El Ninõ, somados ao desperdício, agravaram a situação. A redução dos níveis de água em São Paulo provocou, além dos prejuízos acima citados, disputas políticas – acusações de má administração dos reservatórios e até mesmo a “São Pedro” pela falta de chuvas – mas também questões ambientais. Atualmente os governos de São Paulo e Rio de Janeiro discutem sobre a utilização dos recursos do rio Paraíba do Sul, que abastece também o Estado de Minas Gerais.

O Brasil possui mais de 10% das reservas de água doce do planeta e sofre com as mudanças no clima. Os períodos de seca têm sido prolongados, bem como o excesso de chuvas tem prejudicado diversas regiões. Vale lembrar que a principal matriz energética do Brasil é hídrica e ainda não se obteve acordo para a transposição do Rio São Francisco e a construção da Usina de Belo Monte.

Conflitos

A água é um bem essencial e apontada como a ameaça do século. Em regiões de conflito a água se tornou mais uma arma de guerra. Em maio deste ano, a ONU denunciou um corte de água na cidade de Aleppo, na Síria. Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, o bombeamento de água da principal estação da cidade foi cortado pela Frente Al-Nosra, da rede Al-Qaeda. Cerca de 2,5 milhões de pessoas ficaram sem acesso a água potável e saneamento por mais de uma semana na região.

Em julho, a companhia de água de Gaza reduziu as operações de distribuição devido à insegurança. A falta de água já afeta 400 mil pessoas de acordo com estimativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em consequência dos danos de ataques aéreos e falta de energia.

Conflito entre Israel e Palestina já prejudica o abastecimento de água à população, em Gaza./ Foto: UNICEF / El Baba

Conflito entre Israel e Palestina já prejudica o abastecimento de água à população, em Gaza./ Foto: UNICEF / El Baba

Historiadores acreditam que conflitos na região da Mesopotâmia tenham sido provocados pela disputa de água. O desvio no curso de rios para provocar inundações, a contaminação da água e bombardeiro em dutos, são alguns exemplos de estratégias de guerra realizadas como na Guerra Irã-Iraque, Guerra do Golfo, Guerra do Kosovo, entre outros conflitos.

Os conflitos atuais são agravados pelas condições humanitárias, a água é um bem essencial à vida. Algumas regiões convivem com cheias dos rios e sobra água, em outras ela é escassa, em ambas as consequências são desastrosas. Situações como essas elevam os riscos e a tensão nos locais. A contagem das gotas de água já é uma situação do presente e ficará mais preocupante a cada ano.

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