Mais de 600 vítimas | Conflito em Gaza é atentado contra a própria humanidade

Protesto reslizado em Ramala, na Cisjordânia simula caixões das vítimas palestinas no confronto./ Foto: Agência EFE

Protesto reslizado em Ramala, na Cisjordânia simula caixões das vítimas palestinas no confronto./ Foto: Agência EFE

Em quase 20 dias de ofensiva, o ataque de Israel contra a Palestina já deixa um saldo de mais de 600 mortos, confirmaram autoridades de saúde que acompanham os atendimentos médicos no local. A maioria das vítimas são civis. As organizações internacionais buscam um acordo entre as duas frentes, mas, até agora, nenhum indício de cessar fogo.

Segundo informação da Organização das Nações Unidas (ONU), a morte de civis é considerada crime de guerra e, quando em massa, como no caso dos ataques que têm ocorrido no Oriente Médio, é um crime contra a própria humanidade, conforme definido por sanções internacionais, revisadas após a Segunda Guerra Mundial, para que os eventos de então não se repetissem.

Nos últimos dias, uma criança morreu a cada hora em Gaza, aponta o relatório do dia 22 de julho do Ocha (Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, em inglês) na Palestina.  Desde o dia 7 de junho, a operação israelense  já deixou 635 mortos, dos quais 77% são civis e, destes, 161 são crianças, representando 25% das baixas. Dos 3.500 feridos, 1.100 são crianças.

De acordo com a jornalista brasileira Adriana Carranca, especilista em coberturas de conflitos, o argumento de que o Hamas usa escudos humanos é o mesmo de Bashar Assad na Síria para bombardear cidades inteiras: os rebeldes se infiltram entre a população. Com um agravante: as fronteiras de Gaza estão fechadas, o que significa que a população inteira – simpatizantes ou não do Hamas – está encurralada pela guerra, num espaço apertado e superpopuloso. “Não têm a chance, como milhões de refugiados das tantas guerras, de fugir. Em Gaza, não há essa opção. Eles não têm como sair”, disse a repórter na sua página do Facebook.

A paz pode estar longe

Nesta semana, nos Estados Unidos, a revista New Republic publicou uma grande reportagem que traz a investigação que dois jornalistas fizeram sobre as negociações de paz que decorreram desde o ano passado até abril deste ano com os altos responsáveis israelitas e palestinos. A investigação se baseou em entrevistas com mais de 100 protagonistas, entre autoridades de Israel, Palestina e EUA, e na consulta a diários e atas de reuniões.

A partir desta reportagem, é possível perceber o pessimismo dos jornalistas em relação a um acordo entre os dois Estados. “Com Netanyahu entrincheirado, Abbas sem escapatória, assentamentos e faixas de foguetes em expansão, e as populações cada vez mais radicais, parece ter chegado ao fim de uma era no processo de paz. E ninguém tem muita esperança para o que vem a seguir.”, expõe a reportagem, que cita as autoridades de Israel e Palestina.

Paralelo às negociações entre as autoridades, a sociedade civil de ambos os Estados busca se organizar e propor o fim do conflito. Nesta terça-feira, um protesto reuniu centenas de israelenses no centro de Tel Aviv, conforme registrou a agência de notícias France Press neste vídeo>>

A organização não-governamental Avaaz está divulgando no mundo inteiro uma petição online que pretende cobrar das autoridades o fim desta guerra. Pessoas de diferentes nacionalidades participam por meio de assinaturas e convocando outros cidadãos através das redes sociais.

A campanha palestina de boicote à Israel, lançada em 2005, também cresce desde o agravamento do conflito na região. O #Media4Freedom já falou sobre o BDS (Boicote, Desisvestimentos e Sanções), o movimento que luta de forma não violenta em direção à paz. O movimento propõe, além do boicote econômico, o boicote cultural, acadêmico e desportivo de Israel.

Para além das mortes

Fora as mortes e os ferimentos, os ataques que Israel dirige à Palestina  tem causado outros problemas graves à população. A companhia de água de Gaza suspendeu as operações de emergência devido á insegurança, alertando que o abastecimento de água para 600 mil pessoas está comprometido.  O Fundos das Nações Unidas para a Infância (Unicef) relatou que 400 mil pessoas perderam acesso à água encanada devido à falta de energia ou aos danos provocados pelos bombardeios aéreos.

Entre os mais prejudicados com todo o conflito estão as crianças. Em entrevista ao portal de notícias Opera Mundi, a médica coordenadora de saúde da organização Médicos Sem Fronteiras, Audrey Landmann, diz que “há muitas crianças que chegam à sala de emergência sem machucados graves ou fisicamente preocupantes. Elas chegam, na verdade, em estado de choque”.

Médica atende criança em Gaza: pelo menos 18 unidades de saúde foram atingidas pelos mísseis israelenses, segundo OMS./ Foto: Médicos Sem Fronteiras

Médica francesa atende criança em Gaza./ Foto: Médicos Sem Fronteiras

Os efeitos psicológicos da guerra, de acordo com a médica, são “devastadores” a longo prazo para os pequenos, impactando o futuro da população palestina. “As crianças ficam próximas de casas que foram bombardeadas e presenciam diversas mortes. Elas têm muitos pesadelos e acordam toda hora à noite por conta dos bombardeios. Consequentemente, há uma série de sintomas crônicos que acabam se desenvolvendo”, argumenta Landmann.

Para compreender mais sobre o conflito entre Israel e Palestina, o portal português Observador preparou uma página sobre todo o histórico do conflito. Acesse aqui.

Com informações da ONU e do Opera Mundi.

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