Saúde em São Tomé e Príncipe| Fitoterápicos são alternativa na falta de dinheiro para medicamentos

Manuel Afonso aprendeu desde os 16 anos a arte de curar por meio das plantas e ervs medicinais. Foto: Thiago Melo

Manuel Afonso aprendeu desde os 16 anos a arte de curar por meio das plantas e ervas medicinais. / Foto: Thiago Melo

A série de reportagem Saúde em São Tomé e Príncipe aborda nesta semana o uso de medicamentos fitoterápicos como alternativa no tratamento de doenças. Acompanhe na reportagem produzida por Thiago Melo.

Foi à porta do centro de saúde da Água Grande, no centro da capital São Tomé, que encontrei, às 7h da manhã, Neuza da Conceição. Ela tinha chegado uma hora antes de mim, pois queria conseguir uma consulta com o pediatra para o filho de 1 ano. Apesar do esforço, ela diz-me que não enfrenta dificuldade para conseguir o atendimento. Para ela, assim como para a grande maioria dos são-tomenses, o problema é ter acesso à medicação indicada pelos doutores. “Há consultas, mas muitas vezes isso depende da disponibilidade dos médicos. Se temos tudo marcado, não há problema. A gente tem mesmo problema é para conseguir o remédio, pois são caros para nós. Aí procuramos nas plantas medicinais”, relatou.

Depois da consulta, ela levou-me até ao Mercado Velho, a poucos quarteirões do centro de saúde. Lá, Neuza foi directo ao ponto de venda da Dona Gigi Bento, de 55 anos, que diz ter aprendido, desde criança, a arte de curar a partir das plantas. Ela logo juntou um maço de ervas desidratadas e vendeu a Neuza. Aquilo serviria para um chá que curaria a dor de barriga do menino.

Fitoterápicos são alternativa no tratamento de doenças em STP. Neuza compra chá para curar dor de barriga do filho./ Foto: Thiago Melo

Fitoterápicos são alternativa no tratamento de doenças em STP. Neuza compra chá para curar dor de barriga do filho./ Foto: Thiago Melo

Segundo Dona Gigi, há mais de 300 tipos de folhas, ervas e sementes que são utilizadas na formulação de medicamentos fitoterápicos em São Tomé. É em forma de chá e óleos essenciais que estes remédios naturais ajudam a curar as enfermidades dos são-tomenses. “Tem remédio para diabetes, hérnia, febre tifoide, colesterol e muitos outros. Há fórmulas em que misturamos várias plantas, ou, em outras, basta uma”, explicou Gigi.

Assim como Gigi, quase uma centena de outros sábios tradicionais trabalham com os fitoterápicos no Mercado. Manuel Afonso, de 69 anos, trabalha desde os 16 anos com as plantas medicinais e ele deixa claro a ética de sua profissão: “O médico é quem tem a sabedoria para identificar a enfermidade do paciente, o que nós fazemos é encontrar a cura nas plantas”. De acordo com Manuel, tudo o que ele indica aos pacientes que o procuram é  a partir dos exames médicos que eles lhe apresentam. “Se traz o exame, a gente já sabe o que indicar, senão, tem de voltar ao médico e trazer o atestado para podermos arranjar o remédio”.

Manuel reconhece o papel social que desenvolve na sociedade de São Tomé e Príncipe. Ele sabe o quanto o seu trabalho está ligado à população: “as pessoas têm mais acesso a este tipo de medicamento, pois a maioria não tem dinheiro para pagar as receitas médicas, ou então não é possível comprar o remédio aqui no país”.

Texto e fotos: Thiago Melo

Esta produção só foi possível realizar graças ao programa de formação jornalística, Beyond Your World, o qual é financiado pela Comissão Europeia e pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros Holandês.

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