Cooperação portuguesa mantém viva ligação com São Tomé e Príncipe

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Mercado em São Tomé e Príncipe / Foto: Catarina Oliveira

A série de reportagem sobre a Independência de São Tomé e Príncipe nos mostra que necessidades básicas continuam a ser ainda uma promessa numa altura em que se acabam de completar trinta e nove anos sobre a data. Acompanhe na reportagem produzida por Catarina Oliveira.

Na ilha fala-se português. A rotina começa cedo, às 8 da manhã. Aqui, no Golfo da Guiné, o calor é avassalador ao longo do ano. Por vezes, um calor extraordinariamente tão grande e tão húmido que parece estar-se numa caldeira de água a ferver. Vive-se um espírito de liberdade, sem pressas mas também sem constrangimentos, sejam de ordem política ou social. Sobra, no entanto, a questão de saber se isso basta para uma liberdade democrática e verdadeira? Numa altura em que acabam de se cumprir 39 anos sobre a data de independência, estarão cumpridos os mais elementares princípios sociais, económicos, de saúde, de educação e justiça? E a resposta só pode ser negativa, já que em grande parte quase não existem, e quando funcionam é quase sempre com base na cooperação portuguesa, que é ainda nos dias de hoje o principal suporte em áreas fundamentais como a Educação, Saúde e Justiça.

E a questão nem é só da falta de infraestruturas ou de recursos económicos. “O dinheiro não é o único problema, não pode ser a justificação”, assegura Filinto Costa Alegre. O antigo activista do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, hoje bancário, entende mesmo que o mais importante é, antes, mudar mentalidades. “O problema é a mentalidade. É preciso mudar a atitude das pessoas. Nós não somos capazes de criar nada. Se nós soubéssemos o que queremos, e tivéssemos o mínimo de entendimento entre nós, não precisávamos de cooperações”, afiança.

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“O problema é a mentalidade” , Filinto Costa Alegre./ Foto: Jorge Bravo

Diferente é a perspectiva de quem já teve responsabilidades no comando dos destinos dos jovens do país. “Há um problema de coesão social e ainda existe um problema de união entre partidos políticos diferentes o que dificulta a resolução dos problemas do país e do próprio sistema democrático”, sentencia, por sua vez, Leonel D’Alva, que chefiou o governo pouco tempo depois da independência. O actual estado de coisas vê-o ainda como uma espécie de transição. “Não é uma democracia que eu considero eficaz. As pessoas não souberam ainda canalizar as suas forças para resolver os problemas fundamentais do país”. Salienta contudo as conquistas que vieram com a independência: “As pessoas já têm liberdade política, liberdade de expressão. Não há presos políticos como no regime colonial”.

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Crianças a caminho da escola / Foto: Catarina Oliveira

A educação parece ser uma das questões centrais para o futuro do país, mas neste campo tudo parece depender ainda em muito do apoio do antigo colono. “A educação está absolutamente abandonada. Há alunos da 6ª classe que nem sabem escrever o seu nome”, assegura Filinto Alegre. Espelho dessas dificuldades são os jovens como Adilson e Roger, que na incerteza dos seus vinte anos, sonham apenas em sair do país. “Só estudando é que consigo chegar longe. Penso em ir para fora estudar, o país não tem condições para ajudar os jovens”, desabafa Adilson. Roger corrobora a ideia: “Só fora do país é que posso realizar os meus sonhos, ou em Portugal ou no Brasil”.

 

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