Holandês devolve condecoração do Holocausto ao Estado de Israel

Henk Zanoli. O holandês que devolveu a condecoração do Holocausto depois de perder familiares num ataque na Faixa de Gaza. / Foto: Hareetz/ Reprodução

Dois anos. Dois anos foi o tempo que Henk Zanoli escondeu e protegeu um jovem judeu, de 11 anos, Elchanan Pinto, até ao final da II Guerra Mundial. A coragem e ousadia de Henk valeram-lhe uma condecoração, entregue em 2011 pelas autoridades isrealitas, e o seu nome inscrito na lista dos “Justos entre as Nações”, reservada apenas àqueles que ajudaram judeus durante o Holocausto.

Mas tudo mundou quando, no final do mês de julho deste ano, um ataque aéreo isrealita atingiu uma casa que pertencia a familiares de Henk, mantando 6 pessoas, em Faixa de Gaza. Na passada quinta-feira, 16 de agosto, Zanoli dirigiu-se à embaixada isrealita em Haia e devolveu a condecoração.

Há mais de 70 anos, em 1943, Zanoli levou Elchanan de Amesterdão para a vila de Eemnes, depois de se saber que toda a sua família teria sido morta em campos de extermínio de judeus. Esta ação pode ter mesmo colocado em risco a sua própria família, conhecida pela resistência à invasão nazi na Holanda. Dois anos antes, o pai de Henk tinha sido enviado para Dachau, campo de concentração nazi a cerca de 5 quilómetros de Munique, e acabou por morrer em 1945, no campo de Mauthausen, na Aústria. Também um cunhado de Henk tivera sido executado por pertencer à resistência holandesa e a noiva judia de um irmão.

Aos 91 anos, na carta enviada ao embaixador israelita, escreveu: “A minha mãe e a sua família mais próxima arriscaram a suas vidas a lutar contra a invasão Alemã” e acrescenta que “neste contexto, é particularmente chocante e trágico que hoje, quatro gerações depois, a nossa família enfrente o assassinato dos nossos parentes em Gaza. Um assassinato levado a cabo pelo Estado de Israel”. Em entrevista ao The New York Times, Zanoli acrescentou ainda que não é anti-semita, no entanto continua a acreditar nos mesmos valores que o levaram a condenar o Holocausto e a apoiar a criação do Estado de Israel em 1948.

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Henk Zanoli, segundo a contar da direita, e a sua família em 1942. Um ano mais tarde viria a ajudar um jovem judeu de 11 anos. / Foto: Yad Vashem

Ainda assim, a devolução da condecoração não tem de ser definitiva. Na mesma entrevista, Henk Zanoli afirmou que a aceita de volta se a situação mudar em Israel e acredita que “a única forma do povo judeu sair do conflito onde se colocou a si próprio é garantir a todos os que vivem sob o controlo do Estado de Israel os mesmo direitos políticos, sociais, económicos e as mesmas oportunidades”.

Consulte a carta escrita por Henk Zanoli ao Embaixador israelita na Holanda

Award Returned ‘With Great Sorrow’

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