Uma viagem ao Oriente Médio e Ásia, em Londres

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Em Upton Park, Newham, bairro do leste londrino, é possível se transportar para países do Oriente Médio ou da Ásia num simples passeio pela rua./ Foto: Thiago Melo

Londres é uma das maiores cidades do planeta, com mais de 8 milhões de habitantes. Segundo o órgão responsável pelo censo da população no Reino Unido, na capital inglesa são falados mais de 300 idiomas, entre línguas e dialetos. Não é difícil encontrar um pouco de cada uma destas culturas na cidade, e, em alguns lugares, até pensar que estamos num outro país ou mesmo em outro continente. Eu já tinha escrito sobre o multiculturalismo londrino, mas desta vez tive uma outra perspectiva de tudo isto.

Era dezembro do ano passado quando eu tive esta experiência. Sempre havia lido muito sobre a história de Londres e sabia que ao longo dos séculos o lado leste havia crescido sob o olhar discriminatório da sociedade londrina. Desde a formação da cidade, East London era o local onde moravam ou trabalhavam estivadores, prostitutas e imigrantes vindos de toda parte do mundo. Pude, então, comprovar o que eu havia lido, inclusive que o lado leste era onde se concentravam os estrangeiros e a população menos favorecida – mesmo nos dias atuais.

Participei de uma verdadeira incursão naquela área da cidade e percebi como as pessoas que ali vivem criaram um mundo paralelo ao inglês. Newham, um dos bairros mais populosos, ganhou mais fama a partir de 2008, quando se iniciaram os trabalhos para a preparação dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres, com a construção do Parque Olímpico e outras infraestruturas necessárias para a realização do evento. Muitos moradores dizem que isto tudo mudou a cara de Newham e dos outros quatro bairros de East London que foram escolhidos para sediar os Jogos. Mas nem tudo mudou.

Newham concentra uma população multicultural. São mais de 32 idiomas falados apenas no bairro e, em alguns locais, é possível imaginar que estamos em algum local da Índia, Paquistão ou qualquer outro país que não seja a Inglaterra. Andei pelas ruas de Upton Park, uma localidade dentro de Newham, e as únicas coisas que me traziam de volta para o Reino Unido eram os ônibus de dois andares vermelhos (Double Deck), característicos de Londres, e alguns poucos supermercados e redes de lanchonetes conhecidos. Fora isto, nas avenidas principais e nas ruas paralelas só se via mercadinhos orientais, com produtos indianos e de países do Oriente Médio. Via-se também lojas de saíres, as roupas típicas das mulheres indianas, joalherias com o estilo de joias das mulheres daquelas culturas, e muitos restaurantes de comida árabe, chinesa e outras especialidades asiáticas.

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Num dos mercados que visitei era possível comprar filmes de Bollywood, alguns, inclusive, sem legendas em inglês. Ouvia as pessoas conversando umas com as outras nas lojas e, então, só tinha certeza de que não se ouviria a língua oficial do Reino Unido, e que as pessoas ali não se importavam com isso.

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Sapatos do traje indiano na vitrine da loja em Upton Park./ Foto: Thiago Melo

Ao contrário dos adultos, as crianças, já inglesas por nascença, são alfabetizadas na língua inglesa e muitas das vezes são as responsáveis por introduzir os pais ao mundo britânico. Numa biblioteca que visitei no bairro, percebi que a maioria dos livros ali disponíveis estavam nos idiomas dos moradores do bairro. Apenas alguns em inglês. Perguntei a uma mãe de onde era e o que fazia em Londres. Sem saber responder, ou sem nem entender a conversa, a filha de 10 anos foi a porta-voz e me disse que ela não fala bem o inglês, mas que ela poderia responder pela mãe.

Os moradores daquela região criaram um mundo onde se sentem no próprio país, convivendo e vivendo a própria cultura, sem precisar viver o mundo inglês. Mesmo comprovando que Londres, especialmente o leste da cidade, é um caldeirão cultural, uma dúvida ainda ficou: seria este comportamento resultado da história, que mostra a exclusão e a discriminação com as pessoas que vivem naquela região, às vezes simplesmente por serem imigrantes, ou seria o universo inglês muito diferente para essas pessoas? Talvez um pouco de tudo.

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