Sociedade | Por que casais homossexuais e suas famílias incomodam tanto?

Reprodução do comercial

Reprodução do comercial “Dia dos Namorados” de O Boticário.

Já não é mais novidade que as sociedades contemporâneas estão cada vez mais complexas, apresentando relações de amizade e amor diferentes das ditas “tradicionais”. No século XXI, muita gente parece ter percebido que o que realmente vale nesta vida são os momentos felizes que vivenciamos com as pessoas que amamos, sejam estas amigos ou companheiros. Assim, a configuração da família tradicional torna-se heterogênea. Já não dá para afirmar que esta se caracteriza pelo casal homem-mulher e seus filhos.

Atualmente uma família pode ser formada por uma única mulher, ou homem, e filhos (adotados ou biológicos); por dois homens ou duas mulheres que têm um relacionamento amoroso; e assim por diante. O que interessa é que as pessoas estão vivendo de acordo com o que acreditam ser o melhor para si, ou com o que lhes faz feliz.

Esta realidade é ainda difícil de ser compreendida, ou até mesmo assimilada, por muitos. No Brasil, desde o início desta semana, com a aproximação do Dia dos Namorados, que é no dia 12 de Junho, um comercial de uma empresa de perfumaria tem sido alvo de muitos comentários – dos maldosos até os que parabenizam a empresa. Com o tema “todas das formas de amor”, o comercial apresenta casais heterossexuais e gays se encontrando para celebrar o dia e, claro, oferecendo presentes da marca de perfumes. Uma desconstrução do que o mercado anuncia, sem reconhecer a realidade social brasileira (e que é igual em muitos outros países), afinal os consumidores não são apenas os heterossexuais.

Após a divulgação, o comercial foi amplamente criticado por internautas e, inclusive, teve má avaliação no número de Likes do YouTube, onde foi publicado. Da mesma maneira como foi criticado, o comercial foi defendido por outra onda de internautas indignados com a crítica homofóbica e logo teve o número de Likes invertido. Uma grande discussão se instalou nas redes sociais por causa disto, e, mais uma vez, todos passam a se indagar sobre o motivo de casais gays incomodarem tanto.

E os filhos de casais não “tradicionais”?

Foi lançado no início deste mês, na Austrália, o documentário Gayby Baby. Dirigido por Maya Newell, o filme conta a história de quatro crianças – Gus, Ebony, Matt e Graham, todos filhos de casais gays. À medida que cada um têm de lutar com os desafios que é a aproximação da adolescência, o mundo exterior lhes impõe um outro desafio que é o preconceito e, no caso dos pais, a questão da igualdade do casamento e de direitos.

O filme discute a partir da visão das crianças o papel da tal famílias “tradicional” e nos convida a questionar a noção de “normalidade”, fruto das convenções estabelecidas pela sociedade. Assim, o filme é um retrato bem próximo do que se vive atualmente na modernidade, retratando famílias do mesmo sexo e os seus sistemas de valores. Uma família como qualquer outra, mas que busca os seus direitos e deveres para viver livremente. Negar que isto é uma realidade mundial é, no mínimo, pura hipocrisia.

Por que os casais gays e suas famílias incomodam tanto? Eu não sei, mas não é em entender esta questão com o que devemos nos preocupar. Precisamos, sim, aceitar a liberdade de cada um e promover os direitos de todos.

Conheça aqui mais sobre o documentário australiano >> http://thegaybyproject.com/

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