Comunidades que resistem às remoções em nome das Olimpíadas, no Rio

Remoções em nome do desenvolvimento e dos Jogos Olímpicos obrigam milhares de famílias a deixar suas casas no Rio de Janeiro./ Foto: Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas

Remoções em nome do desenvolvimento e dos Jogos Olímpicos obrigam milhares de famílias a deixar suas casas no Rio de Janeiro./ Foto: Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas

Os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, estão, de fato, mudando a cara da cidade. Desde que o Rio foi anunciado como sede desta edição do evento, uma centena de intervenções urbanísticas passaram a ser planejadas e executadas para atender às exigências do Comitê Olímpico Internacional. Intervenções importantes, que talvez os cidadãos cariocas demorassem anos para ver, caso não fosse a oportunidade de sediar os Jogos. Porém, as mudanças que ocorrem não são apenas as que beneficiam a população. Milhares de cidadãos estão sendo removidos de suas casas em nome do desenvolvimento e dos Jogos Olímpicos. 

Segundo o urbanista Lucas Faulhaber, autor do livro “SMH 2016: Remoções no Rio de Janeiro Olímpico”, pelo menos 60 mil famílias moradoras de oito comunidades já foram obrigadas a deixar o lugar aonde viviam há anos com a justificativa que aquelas áreas dariam lugar a obras da Copa do Mundo, que ocorreu em 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2016. Para o autor, esse processo de segregação acontece por interesses do mercado imobiliário, que ganha tanto na desapropriação de áreas nobres quanto na realocação em áreas distantes, e da Prefeitura do Rio.

O caso mais emblemático é o da comunidade Vila Autódromo, que fica localizada ao lado da área onde é construído o Parque Olímpico de 2016. A comunidade existe desde os anos 1960, quando uma vila de pescadores se formou ali no local. Ao todo, 391 famílias já foram removidas e tiveram suas casas demolidas. Os moradores tentam resistir, mas são reprimidos pela força policial, como ocorreu no mês passado, quando a prefeitura tentou realizar novas remoções, conforme foi registrado neste vídeo: 

Documentário de jornalista americana mostra como o “legado” dos Jogos Olímpicos alteram a vida nas favelas do Rio

“O progresso transformou a minha vida numa tragédia”. Esta fala é de uma moradora do  Rio de Janeiro e está registrada no documentário “Olympic Legacy”, produzido pela jornalista Jane Caffrey. O vídeo de 35 minutos narra as mudanças que a preparação para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio está causando na vida de centenas de milhares de cidadãos que vivem em favelas e zonas periféricas da cidade.

Desde que foi anunciada como cidade sede, o Rio de Janeiro se transformou num canteiro de obras. Algumas destas obras requer a remoção de comunidades inteiras, para dar lugar a avenidas ou instalações olímpicas. A produção “Olympic Legacy” é um retrato da luta travada pelos cidadãos para manter as suas comunidades unidas e suas casas no mesmo lugar onde cresceram e criaram os seus filhos.

Assista ao documentário: 

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