Fora do armário chinês: uma questão além da sexualidade

Beijo gay na China após a legalização do casamento nos EUA: os chineses homossexuais querem mais liberdade na China também.

Beijo gay em Pequim após a legalização do casamento nos EUA: os chineses homossexuais querem mais liberdade na China também./ Fonte: http://toutiao.com/a4614506955/

Apenas um dia após a aprovação da lei que torna legal o casamento homossexual em todos os estados dos EUA, um casal de jovens homossexuais da China celebrou a sua união, mesmo que esta não seja reconhecida pelas autoridades do país, em Pequim.

As redes sociais da China, sem dúvida, fomentaram o debate deste tópico e encorajaram a comunidade LGBT: após o dia 27 de junho, que entrou para a história no mundo inteiro por causa dos EUA, inúmeros utentes da rede social chinesa Sina Weibo (Twitter duplicado na China), homos e héteros tornaram as suas fotos de perfil coloridas, em apoio ao casamento igualitário. Entretanto, será que o fenómeno viral passava na vida real dos jovens homossexuais da China? Permanece a questão!

Segundo estatística não-oficial do ano 2014, apenas 5% dos investigados “saíram do armário” de forma completa, entretanto esta taxa é mais alta nas cidades maiores do que nas regiões rurais.

O maior obstáculo de “sair do armário” completamente é a pressão proveniente dos pais. Embora não tenham a influência religiosa sobre o assunto, a cultura chinesa é profundamente influenciada pelas Doutrinas de Confúcio e Mêncio, em que se sublinhou a obediência dos filhos aos pais e procriação pela responsabilidade para a família. Por isso, o facto de o filho/a filha ser homossexual, além de ser “anormal” para a geração velha, prejudica a continuidade “tradicional” da sua família – o casamento homossexual não pode trazer uma criança biologicamente do pai e da mãe.

Perante uma comunidade homossexual de aproximadamente 60 milhões, a atitude adotada pelas autoridades é “não apoiar, não opor, não promover”. Entretanto, há hipótese que a aprovação do casamento homossexual ou união civil podem ser uma solução ao desequilíbrio entre os sexos na China e para os casamentos de fachada – o que na realidade atual da China, normalmente resulta em grande infelicidade para as mulheres neste tipo de casamento.

Perfis coloridos nas redes sociais chinesas.

Perfis coloridos nas redes sociais chinesas.

Neste país enorme, onde os conflitos de ideologias e culturas são constantes, homossexualidade e o “sair do armário” são um dos tópicos complicados de se discutir. Ao colorir suas fotos nos perfis das redes sociais, os homossexuais, em chinês chamados “camaradas (Tongzhi)”, da melhor forma sugeriram a necessidade de uma revolução na China, pelo respeito e direitos da comunidade LGBT.

Texto: Cris Yin / Media4Freedom

 

 

 

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