Brasil | Mulheres negras vivem momento histórico contra o racismo, a violência e pelo bem viver

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A luta das mulheres negras registrou nesta quarta, dia 18, um novo capítulo na história do Brasil e da América Latina. Pelo menos 30 mil pessoas participaram da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, que percorreu 7km em direção ao Congresso Nacional. Esta foi a primeira vez que negras do país inteiro se uniram numa mesma manifestação contra o racismo e a violência. Estas foram as principais bandeiras da marcha, cujo tema foi “Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver”.

Cerca de 20 mulheres, representantes do movimento, foram recebidas num encontro rápido com a presidente Dilma Rousseff, com objetivo de garantir a criação de políticas públicas pelo fim do extermínio da juventude negra, pelo fim da intolerância religiosa, do racismo, do machismo, do feminicídio.

A Primeira Marcha das Mulheres Negras do Brasil aconteceu na semana em que se celebra o Dia da Consciência Negra (20 de novembro). A data foi escolhida justamente para dar ainda mais visibilidade às suas reivindicações, visto que elas lutam por uma parcela que representa 25% da população brasileira. Considerando o total da população negra, este número sobe para 55%.

Apesar de representarem a maioria dos brasileiros, os negros, em especial as mulheres negras, ainda têm de lidar com a violência, o racismo e outros tipos de preconceito. Por muitas vezes, negros e negras são impedidos de exercer o protagonismo em diversos segmentos da sociedade. E isto é ainda pior no caso das mulheres, pois entra a questão do machismo e das várias formas de violência contra elas.

Brasília - Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Falando mais especificamente sobre as mulheres negras, o Mapa da Violência 2015 no Brasil (FLACSO) demonstra que o número de negras mortas cresceu 54% em 10 anos (de 2003 a 2013), enquanto que o número de brancas assassinadas caiu 10% no mesmo período.

Manifesto

A Primeira Marcha das Mulheres Negras começou a ser estruturada a partir de um manifesto publicado em julho de 2014. Este manifesto reuniu diversas entidades, comunicando que as mulheres negras estavam em marcha pelas razões abaixo:

-Pelo fim do femicídio de mulheres negras e pela visibilidade e garantia de nossas vidas;

– Pela investigação de todos os casos de violência doméstica e assassinatos de mulheres negras, com a penalização dos culpados;

– Pelo fim do racismo e sexismo produzidos nos veículos de comunicação promovendo a violência simbólica e física contra as mulheres negras;

– Pelo fim dos critérios e práticas racistas e sexistas no ambiente de trabalho;

– Pelo fim das revistas vexatórias em presídios e as agressões sumárias às mulheres negras em casas de detenções;

– Pela garantia de atendimento e acesso à saúde de qualidade às mulheres negras e pela penalização de discriminação racial e sexual nos atendimentos dos serviços públicos;

– Pela titulação e garantia das terras quilombolas, especialmente em nome das mulheres negras, pois é de onde tiramos o nosso sustento e mantemo-nos ligadas à ancestralidade;

– Pelo fim do desrespeito religioso e pela garantia da reprodução cultural de nossas práticas ancestrais de matriz africana;

– Pela nossa participação efetiva na vida pública.

O Manifesto encerra conclamando todas as mulheres negras, “para que se juntem a esse processo organizativo, nos locais onde estiverem, e a se integrarem nessa Marcha pela nossa cidadania. Imbuídas da nossa força ancestral, da nossa liberdade de pensamento e ação política, levantamo-nos – nas cinco regiões deste país – para construir a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, para que o direito de vivermos livres de discriminações seja assegurado em todas as etapas de nossas vidas”.

De fato, empoderadas, elas agora marcham em direção a um futuro muito mais forte e promissor para as gerações que estão na luta.

Confira mais fotos da Marcha das Mulheres Negras (Marcello Casal Jr/Agência Brasil):

 

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