Brasil | A lama das mineradoras Samarco e Vale agora está no Atlântico

REGENCIA/ES 22-11-2015 CIDADES BARRAGEM LAMA MAR A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco - cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP Billiton - em Mariana (MG) já chegou ao mar, neste domingo (22), após passar pelo trecho do Rio Doce no distrito de Regência, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, segundo o Serviço Geológico do Brasil. FOTO GABRIELA BILO / ESTADAO

A lama de rejeitos de minério que vazou da barragem da Samarco – cujos donos são a Vale a anglo-australiana BHP Billiton – em Mariana (MG) já chegou ao mar, neste domingo (22)./ (FOTO: GABRIELA BILO / ESTADAO)

Depois do rompimento das barragens da mineradora Samarco/Vale, em Minas Gerais, e a destruição de vilarejos inteiros, morte e desaparecimento de pessoas, há três semanas, o que mais se temia aconteceu neste domingo, 22. A lama de rejeitos da mineração, altamente poluentes para o meio ambiente, chegou ao oceano Atlântico.

Os rejeitos percorreram todo o trajeto do Rio Doce, quase 700km do interior de Minas Gerais até o litoral do Espírito Santo, e agora preocupam por causa dos danos que podem causar à fauna marinha e flora desta região.  A previsão do Ministério do Meio Ambiente, com base em projeções feitas por pesquisadores da UFRJ, é que os sedimentos se dispersarão por uma área de 9 quilômetros, principalmente ao sul da foz do Rio Doce.

De acordo com o biólogo pesquisador da Estação de Biologia Marinha de Santa Cruz, André Ruschi, os danos que os metais pesados levados pelos rejeitos podem ser ainda maiores no mar. Em entrevista ao Portal Tempo Novo, André ressaltou que o leitorado do Espírito Santo pode ser considerado como a “Amazônia marinha do planeta”.

Esta lama “pode atingir 10 mil km² ou mais. Todo o banco de Abrolhos que começa em Aracruz e termina no sul da Bahia, todo o litoral norte do ES até 200 km afastados da costa e uma parte da Cordilheira Vitória-Trindade que vai até 1.200km da costa, tudo isso vai receber uma carga de metais pesados. É um problema muito maior do que no rio Doce. 1/3 do oceano Atlântico, depende do que acontece no litoral do estado do ES que é a Amazônia marinha do planeta e um dos lugares mais desconhecidos da Terra. No litoral do ES se pesca alimento para 20 milhões de pessoas, parte importante do pescado brasileiro estará comprometido”.

São danos ambientais, econômicos e sociais que o rejeitos das mineradoras estão espalhando. Mesmo pagando multas fracionadas em milhões de reais, a Samarco e Vale estão impunes diante do maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil nas últimas décadas. Tudo o que tem sido feito até agora parece ser o mínimo para uma empresa que lucra bilhões de dólares com a exploração da natureza. Impressionante também a inércia do governo brasileiro e da mídia em responsabilizar/cobrar destas mineradoras uma resposta eficiente para as vítimas, a reconstrução das cidades atingidas pela lama e a recuperação do meio ambiente. Isto, porém, talvez não aconteça. Não aconteceu antes de a lama poluir também o oceano.

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