Prisão pertpétua para dois líderes dos Khmer Vermelhos

Khieu Samphan (à esquerda) e Nuon Chea (à direita) condenados a prisão perpétua, na passada quinta-feira, 7 de agosto. / Foto: Mark Peters/Reuters

Culpados de crimes contra a Humanidade, Nuon Chea e Khieu Samphan, foram condenados a prisão perpétua. 35 anos depois, é feita justiça aos mais de dois milhões de mortos no Camboja.

Ainda que tarde e com muitos outros culpados por levar à justiça, dois dos mais importantes líderes dos Khmer Vermelhos foram finalmente condenados, na passada quinta-feira, 7 de agosto, por crimes cometidos entre 1975 e 1979, que dizimaram um quarto da população do Camboja. O julgamento aconteceu em Phnom Pehn, na capital do país, e o juiz declarou-os culpados de  “extermínio, perseguição política e outros atos desumanos como transferências forçadas, desaparecimentos e ataques à dignidade humana”.

No entanto, Nuon Chea de 88 anos, o número dois dos Khmer Vermelhos, considerado também como o seu ideólogo, e o então Chefe de Estado, Khieu Samphan, também com 83 anos, já fizeram saber que vão recorrer da decisão do tribunal. Acusados no outro processo de perseguição e genocídio de minorias, nomeadamente vietnamita e muçulmana, no Camboja, Chea e Samphan voltarão a sentar-se no banco dos réus.

Mas à semelhança de outros processos históricos, nem a hediondez dos crimes acelerou o processo de criminalização dos Khmer Vermelhos. Foi apenas em 2003 que Phnon Pehn acordou com as Nações Unidas a criação de um tribunal especial para julgar os responsáveis. Enquanto isso, Pol Pot, o “irmão número um”, morreu em 1998, sem nunca ter sido preso pelos crimes que cometeu, e Ta Mok, conhecido como “o carniceiro” e último chefe militar, que apesar de ter sido preso em 1999, nunca foi julgado ou condenado.

Mais de dois milhões de mortos é o balanço do regime dos Khmer Vermelhos: alguns morreram à fome, outros foram executados sem qualquer formalidade ou julgamento. Entre 1975 e 1979 foram despovoadas cidades, abolida a propriedade privada, a educação desprezada e a religião proibida, tudo em nome de uma sociedade agrária sem classes, em nome de uma utopia maoísta.

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